A
pintura é uma linguagem com um código próprio e com um alfabeto
particular e como tal possui a
capacidade de comunicar, de transmitir emoções.
Recordando Diderot: “ De todas as
mentiras, a arte é a que mente menos”.
Quando para a explicar recorremos à
outra linguagem, a da palavra falada ou escrita, frequentemente
dizem-se generalidades, fazem-se rodeios e finalmente converte-se
o objecto a explicar em outra coisa, transformamos a pintura em
literatura, sendo que nunca se penetra no coração da obra.
Para a elaboração da sua linguagem,
Filomena Carmo Pinto, passou por constantes momentos de expansão e
restrição na sua trajectória.
Estes momentos mostram-se em
conjuntos significativos, que afectam tanto o tratamento
cromático, com pincelada de grande esplendor e outras de contida
opacidade, bem como o tratamento das geometrias, que servem para
pautar e desmontar o espaço, com a finalidade de reencontrar uma
nova experiência.
Nos últimos anos da trajectória da
artista, esta alternância de expansão e contenção produz-se de uma
forma cada vez mais frequente, resultando num vigoroso cruzar
pictural múltiplo que ultrapassa os territórios inexplorados.
A pintura de Filomena Carmo Pinto é
descritiva, tenciona contar uma história, ser reflexo de uma
realidade.
Para arte é positivo que as obras
conservem um certo grau de obscuridade, para que o que foi criado
não se deixe descodificar facilmente, e deste modo manter vivo o
interesse do observador e ampliar a possibilidade de
interpretações.